terça-feira, 5 de julho de 2011

Teste de DNA aponta irregularidade no comércio de barbatana de tubarão

Amostras de barbatanas de tubarão apreendidas pelo Ibama no Pará passaram por uma análise de DNA na Universidade Estadual Paulista (Unesp) que demonstrou que não há rigor no controle das espécies pescadas. De 152 amostras analisadas, 31% não correspondiam à espécie declarada pela empresa autuada – tubarão-azul, muito comum no litoral brasileiro.
A legislação exige 100% de precisão para não colocar em risco espécies ameaçadas. Pelo menos duas outras espécies foram identificadas neste caso.
As barbatanas de tubarão normalmente são apreendidas sem o resto do peixe, que muitas vezes é descartado ainda no mar por não ser economicamente interessante trazê-lo para terra. Essa prática proibida é conhecida como “finning”.
As amostras analisadas fazem parte de uma apreensão de 3,3 toneladas de barbatanas que estavam em poder de uma empresa que não conseguiu comprovar a venda das carcaças dos animais. O Globo Natureza tentou entrar em contato com a companhia, mas não havia ninguém disponível para comentar.
O destino principal das barbatanas de tubarão capturadas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil é o mercado asiático, segundo o Ibama. Até 100 milhões de tubarões são abatidos anualmente no mundo, segundo estimativas do setor.
Barbatanas de tubarão apreendidas pelo Ibama. (Foto: Rita Barreto - Ibama/Divulgação)Barbatanas de tubarão apreendidas pelo Ibama. (Foto: Rita Barreto - Ibama/Divulgação)
Na China, por exemplo, a sopa de barbatana de tubarão é um prato caro e muito apreciado. Para uma mesa ocidental, a iguaria nada tem de especial: um líquido pegajoso e sem graça, tendo como um único sabor o da salsa que o acompanha.
Mas para os chineses, a barbatana de tubarão é uma experiência culinária fora do comum, e o sabor é o que menos importa.
Como o prato custa caro, consumi-lo ou oferecê-lo a parceiros de negócios, familiares ou amigos garante status social, um elemento chave na cultura chinesa.
"Os banquetes importantes, em particular os casamentos, incluem a sopa. Isso é muito importante para a classe média, que pode mostrar, assim, à sociedade que também pode se servir o prato", explica Veronika Mak, antropóloga da Universidade de Hong Kong.
Tamanho
O tamanho e o aspecto da barbatana é o que importa na preparação da sopa. As dorsais são mais caras que as ventrais ou peitorais, mas a cauda também é bastante apreciada, segundo os vendedores. As partes do tubarão-tigre são as mais procuradas. De acordo com a medicina tradicional chinesa, comer barbatanas fortalece a saúde e os ossos.
No restaurante Fung Shing, em Hong Kong,  responsável pelo preparo de 200 kg de barbatanas por semana, uma sopa para 12 pessoas custa 1.080 dólares de Hong Kong (cerca de R$ 217).
"Se você organiza um banquete, é falta de etiqueta não oferecer a sopa de barbatana", afirma Tam Kwok King, dono do estabelecimento.
Na cozinha, as barbatanas secas são colocadas na água por horas, até que fiquem com uma aparência pegajosa, quando são colocadas numa panela com especiarias e temperos. Depois, elas são transferidas para a sopa, que será cozinhada em fogo baixo por cerca de quatro horas, até que as barbatanas fiquem transparentes e reduzidas.
O sucesso desta sopa entre os chineses provoca a drástica redução da população de tubarões, predadores que desempenham papel chave na cadeia alimentar submarina, reclamam os ambientalistas, que criticam ainda o "finning" por fazer com que o peixe morra lentamente por não poder mais nadar.
"A maioria dos meus amigos pensa que consumir as barbatanas de vez em quando não representa um problema. Mas é o consumo ocasional que leva numerosos barcos a caçar tubarões no mundo", afirma Silvy Pun, representante do Fundo Mundial da Natureza (WWF, na sigla em inglês), em Hong Kong. "Matamos um tubarão somente para consumir 2,5% dele quando são necessários dez anos para que ele alcance a maturidade", lamenta.
 
* Com informações da AFP

Do Globo Natureza, em São Paulo*

Área no Amazonas é desmatada com técnica usada na Guerra do Vietnã

Na reunião do gabinete de crise contra o desmatamento, que ocorreu nesta quinta-feira (30) em Brasília, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que vai convocar um maior número de agentes do Ibama na fronteira entre os estados do Amazonas e de Rondônia.
A decisão ocorre após a ministra tomar conhecimento pelo instituto da ocorrência de desmatamento químico por aeronaves pulverizadoras, técnica em que veneno é lançado do ar para matar árvores e que já foi empregada décadas atrás durante a Guerra do Vietnã.
Com medo da apreensão de motosserras, além do risco de prisão devido à fiscalização reforçada na região da Amazônia Legal desde que foi detectado avanço na derrubada da floresta, desmatadores passaram a investir na técnica aérea que ‘mata’ centenas de árvores para remoção e posterior utilização para agricultura.
Durante a Guerra do Vietnã, o lançamento de reagentes químicos (conhecidos como "agente laranja") por aeronaves auxiliava os Estados Unidos na derrubada de florestas, no intuito de melhorar a visibilidade das tropas vietcongues.
Perda
De acordo com o Ibama, 1,7 km², uma área do tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo foi encontrada repleta de árvores secas, sem folhas, características de devastação por produtos químicos. O local pertence ao governo federal e está no município de Canutama (AM).
A suspeita da aplicação do agrotóxico por meio de aviões surgiu após apreensão de 4 toneladas de produtos químicos, classificados como herbicidas altamente tóxicos, em uma estrada de Novo Aripuanã (AM), que fica ao lado de Canutama. O polígono foi detectado pelo sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“Contratamos nesta sexta-feira (1º) uma pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)  para realizar o laudo que vai definir o que causou a morte das árvores. Após a constatação é que vamos atrás do fazendeiro responsável pelo crime. Nós já sabemos quem é, mas ainda não vamos divulgar informações”, afirmou Jefferson Lobato, chefe de Fiscalização do Ibama no estado do Amazonas.  Segundo Lobato, a quase meia tonelada de agrotóxicos tem valor estimado em R$ 500 mil.
Registro
Segundo Lobato, o lançamento de veneno em regiões de floresta já foi empregado no país há duas décadas. O último registro dessa prática registrado no Amazonas foi em 1999.
“É difícil acontecer porque é uma técnica muito cara. Acredito que isto não viverá uma ‘explosão’, mas para isso, as equipes serão reforçadas principalmente na região em que a Amazônia faz fronteira agrícola”, afirmou. Atualmente, 750 agentes trabalham no combate ao desmatamento em 18 frentes, distribuídas em seis estados, como Pará, Maranhão, Acre e Mato Grosso.
Desta vez, oito cidades do Amazonas vão passar por um "pente fino", entre elas Canutama, Boca do Acre e Lábrea (as duas últimas integram a lista do Ministério do Meio Ambiente que compreende as 48 cidades que mais desmataram a floresta amazônica em 2010 e no primeiro semestre de 2011).

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Queimadas estão proibidas a partir desta segunda em Mato Grosso

Começa oficialmente nesta segunda-feira o período proibitivo das queimadas em Mato Grosso. O decreto assinado pelo governador em exercício Francisco Daltro foi publicado no Diário Oficial do Estado que circula hoje.
A proibição das queimadas, que será a mais longo da história nesse ano, começaria mais cedo, entre 1º de julho e 15 de outubro. Mas, o documento para oficializar as datas não foi assinado a tempo pelo governador do estado, Silval Barbosa, que viajou para a Rússia na quinta-feira (30). Nos últimos anos, o período proibitivo durava de 15 de julho a 15 de setembro.
Em 2010, no período proibitivo, foram registrados mais de 200 mil focos no estado. Porém, já no primeiro semestre deste ano, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram detectados mais de 10.700 focos de calor.
O que diz a lei
Quem for pego ateando fogo neste período pode receber multa que varia de acordo com a área atingida - de R$ 1 mil por hectare nas áreas abertas a R$ 1,5 mil por hectare nas áreas de floresta. Além disso, o produtor pode ser detido e responder por crime ambiental. Nesses casos, a detenção pode chegar a quatro anos de prisão, conforme estabelecido na Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998.

Filhotes de tigres siberianos são apresentados em zoo da Hungria

Três filhotes de tigres siberianos, com oito semanas de idade, são apresentados pela primeira vez ao público nesta segunda-feira (4) após testes de saúde e implantação de chips de identificação no zoológico de Budapeste, na Hungria. Os recém-nascidos receberam carinho dos criadores e nomes: os irmãos se chamam Virgil, Thrax e Manu.

Polícia devolve ao mar 18 tartarugas-verdes encontradas na Indonésia

Turistas e membros da guarda costeira de Bali, na Indonésia, se juntaram nesta segunda-feira (4) em uma operação no porto de Benoa para levar de volta ao mar 18 tartarugas-verdes, resgatadas por policiais no último fim de semana.
Os animais estavam dentro de um barco, em uma área onde são praticados esportes aquáticos e que está inserida em uma das mais importantes rotas de migrações da espécie, entre os Oceanos Pacífico e Índico. A região ainda é lar de seis das sete principais espécies de tartaruga-marinha do mundo.
Enquanto aguardavam ser transportadas para a água, mangueiras umidificavam os cascos das tartarugas, cuja espécie foi classificada como ameaçada de extinção pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Duas novas espécies de peixes são descobertas no Oceano Índico


Peixe da espécie Pseudanthias bimarginatus, descoberto no Oceano Índico próximo às ilhas Maldivas (Foto: John E Randall/Practical Fishkeeping)Peixe da espécie Pseudanthias bimarginatus, descoberto no Oceano Índico
próximo às ilhas Maldivas (Foto: John E Randall/Practical Fishkeeping)
Duas novas espécies de peixes da família Pseudanthias foram descobertas por pesquisadores nas proximidades de Maldivas e Maurícia, países insulares localizados no Oceano Índico.
A informação foi publicada nesta segunda-feira (4) no site da revista inglesa Practical Fishkeeping, especializada em vida marinha. A primeira espécie descoberta foi o Pseudanthias bimarginatus, nas Maldivas (imagem acima).
Espécie Pseudanthias unimarginatus foi descoberta nas proximidades da Ilha Maurícia. (Foto: Reprodução/Practical Fishkeeping)Espécie Pseudanthias unimarginatus foi descoberta nas proximidades
da Ilha Maurícia. (Foto: Reprodução/Practical Fishkeeping)
A segunda foi chamada de Pseudanthias unimarginatus e vem da Ilha Maurícia (fotografia ao lado).
De acordo com a publicação, os peixes vivem em recifes de corais, onde se protegem de predadores, e se alimentam de zooplâncton.
Até agora, 65 espécies foram descritas, sendo que 49 foram validadas pelos cientistas.

Pata de sapo pode ajudar a desenvolver novo tipo de 'band-aid'

Sapos que vivem em árvores possuem patas grudentas que os ajudam a se manterem presos aos galhos. Apesar disso, seus pés nunca estão sujos, graças a um muco que, embora melequento, também é autolimpante. Por isso, cientistas estão estudando esses animais para desenvolver uma nova forma de curativo para machucados.
O segredo, segundo os pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, não é apenas o muco, mas também o desenho da sola dos pés desses animais. Para gerar a substância, os sapos precisam friccionar o pé. E pequenas estruturas em formato hexagonal permitem exatamente isso: partes da pata se mantêm em contato com a superfície, mantendo a produção de muco adesivo constante.
A pesquisa foi apresentada durante a Conferência Anual da Sociedade de Biologia Experimental, em Glasgow.